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A função dos hinos, do bailado e do maracá

Como o Santo Daime é uma doutrina musical, o entendimento da função dos hinos é extremamente importante para compreensão da Doutrina. Antes de tudo, os hinos são o testemunho da saga de seus membros que foram transformados em lições para toda a irmandade. É a materialização do pensamento divino em lições que teremos que estudar para viver o processo de autotransformação gerado pelo autoconhecimento. É o Evangelho da floresta. No ritual os hinos ainda têm outras funções: Desempenha um papel psicológico de agregador da corrente porque com ele todos os participantes fazem a mesma função sem distinção. Eles atuam como um indutor do transe mediúnico, semelhante aos cânticos, mantras ou pontos cantados. Eles desempenham o processo espiritual de chamada da “força”, invocando as entidades que participarão dos trabalhos de esclarecimento, revelação, catarse e cura. E finalmente, eles também podem ser a “luz que nos guia”, o fio condutor em transes sutis ou difíceis, seja a resposta do Mestre em determinado questionamento ou o “pano de fundo” de determinada miração. A repetição dos hinos tem a mesma finalidade dos exercícios de meditação e torna-se um mantra, que proporciona o “caos mental” pela saturação da ocupação da mente. É um dos recursos que o ritual utiliza para levar o discípulo ao estado de meditação.
Um erro comum dos participantes do ritual é tratar os hinos com um rigor mecanicista de perfeição no canto, no ritmo e na melodia. Recentemente, a ciência identificou o coração como um “outro cérebro humano” do complexo corpo mente, por ser composto de trinta por cento de células musculares e de setenta por cento de células neuronais. Por tudo isto, se conclui que o hino deve ser cantado com a perfeição possível, mas sem exageros.
O maior rigor deve ser em viver o hino, experenciar seus ensinamentos em si mesmo e produzir a máxima comoção espiritual com ele para ativar o chakra cardíaco e, portanto, despertar a memória milenar que está no coração. Antes de ser timbre, tom, compasso e ritmo, o hino é um mantra!
• Como os hinos atuam:
Fisicamente, eles harmonizam um feixe de fibras denominadas “corpus callosum" que interligam os hemisférios direito e esquerdo do cérebro, estimulando a produção de endorfinas (opiáceos naturais segregados pelo hipotálamo) que produzem um sentimento prazeroso de leve embriaguês, semelhante à sensação de estar enamorado. Esta sensação propicia a atuação espiritual.
Espiritualmente, eles atraem os seres do mundo etérico (mundo intermediário entre os planos espiritual e físico) e os seres do mundo espiritual. É no mundo Etérico ou Astral que operam os seres responsáveis pela sustentação da vida física e são conhecidos como elementares (os silfos, salamandras, ondinas e gnomos). Estes seres se integram à energia emitida pelo trabalho espiritual e se tornam uma só estrutura vibrante, com cor, odor e luminosidades próprias com variantes infinitas. Estas variações dependerão do tipo de ritmo e tom da melodia, da finalidade da evocação da letra e do estado devocional das pessoas que os estejam cantando. Os hinos intensificam a circulação de energia (a corrente) dos trabalhos que circulam especialmente ao redor da mesa, em torno do cruzeiro. Quando são cantados com fervor e principalmente, o resultado deles é uma reunião com harmonia, relaxamento e um estado amoroso ímpares.
Os seres astralinos são manipulados pelas entidades espirituais junto com sustâncias diversas do seio da natureza ou ainda com fluidos liberados pelos participantes de maneiras distintas conforme a necessidade do grupo ou de alguém em particular. Quando os trabalhos alcançam a ligação com o astral superior, as vibrações produzidas canalizam a energia gerada pelos componentes da reunião que sobem a este plano entrelaçadas como um cipó, solicitando a resposta ou “descida” dos Seres Divinos. Este é o ponto que o Padrinho Sebastião chama de “elevar minha sessão para o reino celestial”. Isto confirma que cantar hinos “é orar em dobro”.
• Como classificar os hinos?
Os de “louvor” são os mais comuns na Doutrina e são usados para facilitar o estado de exaltação mística. Há os de evocação ou “chamadas” que não devem ser cantados desnecessariamente. E ainda existem os de “revelação”: São os mais raros. Trazem ensinamentos velados que o discípulo terá que desvendar por mérito pessoal. Um mesmo hino poderá ter uma ou mais características.
• Quem pode receber os hinos?
A captação deles é um processo íntimo do ser humano com o divino. Qualquer pessoa pode receber um hino, com ou sem cultura acadêmica ou musical. Mas o resultado estará sempre limitado as possibilidades de quem os “recebe”. Quanto mais evoluído espiritualmente e mais conhecimento tiver o aparelho receptor dos hinos, mais os hinos serão sutis, inspirados, inéditos e expressivos, fugindo ao lugar comum dos hinos assemelhados. Os hinos são lições que devem ser aplicados primeiro em quem os recebe. Eles são elaborados a partir de uma situação particular a ser vivida ou já vivida na irmandade, mas eles pertencem a todos e por todos devem ser zelados. Podem vir por psicografia, implante mental, inspiração e mais raramente por incorporação. Normalmente eles já vêm previamente elaborados pelas entidades espirituais. Raramente são elaborados no momento do acontecimento de um fato. Os hinos são mantras elaborados a partir de um som primordial da Natureza por sensitivos capazes de traduzi-los diretamente em linguagem humana; podem ser relembrados da memória da natureza (os chamados registros “akasicos”); podem ser captados da memória humana coletiva ancestral ou ainda cantados por uma Entidade que já o conheça ou o tenha captado antes por um dos processos anteriores. Muitos hinos hoje em uso na Doutrina são cantos arcaicos de outras civilizações passadas que foram adaptados à nossa época e às nossas necessidades.
O Bailado e o Maracá.
São heranças xamânicas usados como elemento da harmonização que elimina as chamadas larvas do astral inferior, além de invocar o Mestre Disciplinador da linha que o utilize. No Daime, ele se chama “Marachimbé”.
Os movimentos do bailado e o som do maracá são dois outros dispositivos que se somam aos hinos para criar o caos da mente racional e a conseqüente parada dela, o que nos leva a obter experiências de revelação ou de êxtase. Este será o ponto culminante da experiência.
O movimento do bailado também faz uma representação energética do movimento “yin e yang” do universo (também conhecido como “Caldeirão de Deus”, “A Dança de Shiva” ou “A Respiração de Brahma”). Este movimento energiza o participante, revigorando-o e harmonizando seus chakras.
Os hinos são os ensinos do Mestre. São versos cantados para facilitar a retenção pela nossa mente. Como todo ensinamento, eles devem ser “interpretados” para maior compreensão do seu significado. São lições arquetípicas e vão se modificando à medida que o discípulo vá se desenvolvendo e percebendo cada vez mais as sutilezas dos ensinos do Mestre. Um exemplo é o hino 61 “Quatro linhas e quatro letras” do Hinário “O Justiceiro” do Padrinho Sebastião. Nele “as quatro linhas” seriam as quatro linhas espirituais que operam no Daime e “as quatro letras” seriam as letras do Mestre Jura, isto é, J-U-R-A. Com esta leitura, o hino adquire outros tons. Enfim, os livros estão abertos para todos lerem...
Julio da Mata Casa de Maria Damião Vargem Grande- Rio de Janeiro 06 de dezembro de 2008
Escrito por Filho do Sol às 17h21
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Ateísmo: O fruto do protestantismo europeu

Dados estatísticos dos últimos anos apontam uma tendência um tanto surpreendente: o crescimento gradativo do ateísmo na maioria dos países da Europa, especialmente os do norte do continente. Esse crescimento não chegou (pelo menos ainda) há ser tão gigantesco a ponto de superar o número de europeus que afirmam crer, de alguma forma, numa determinada divindade, mas revela um percentual de ateus na população infinitamente superior a qualquer outro continente. Quais seriam os motivos por detrás dessa “onda atéia” que está varrendo o velho continente? Respostas de caráter simplista, advindas principalmente de ateus militantes, é de que os elevadíssimos índices de educação e instrução da população européia fariam com que naturalmente crescesse o número de pessoas questionadoras dos dogmas religiosos, e dessa forma propensas ao ateísmo. Esse raciocínio não é de todo errado (pois afinal pessoas instruídas tendem a ser mesmo mais questionadoras), mas se torna simplista se tomado como único fator, pois esbarra justamente nos EUA, pois a maior potencia econômica e científica do mundo tem índices de ateus na sua população bastante inferiores aos encontrados na Europa. Sem contar que esse tipo de argumentação trás implícito um preconceito grosseiro de que ateus são “superiores intelectualmente” e de que teístas seriam necessariamente mais ignorantes. Ao contrário do fanatismo ateísta de um “Richard Dawkins da vida”, ateísmo não significa necessariamente progresso, visto que os dois maiores regimes políticos proclamadores do ateísmo entraram para a História na lista dos mais sangrentos e ditatoriais do século XX: a URSS stalinista e a China maoísta. Porém que outros fatores estariam por detrás do crescimento da não-crença em Deus na Europa? Creio que é de muita valia nessa busca trazermos algumas reflexões de Max Weber, um dos maiores sociólogos do século passado, que em sua obra “Economia e Sociedade” analisa, dentre outras coisas, a gênese do pensamento religioso e suas relações socioeconômicas. Para este pensador o desenvolvimento do capitalismo só foi possível graças a racionalização da religião, que seria justamente o momento em que esta deixa de lado grande parte do seu misticismo original, e passa a se focar nas próprias relações sociais e produtivas de seus membros, ou quando seu interesse passa do “reino dos céus” para o mundo material. A primeira religião a ter se “racionalizado” seria o judaísmo, mas não ao ponto que chegaria futuramente o protestantismo europeu. Weber afirma que a mentalidade católica era demasiadamente “mágica”, com seu universo povoado de anjos, demônios, santos, milagres, almas dos mortos, etc. O protestantismo histórico (ou seja, o luteranismo, calvinismo e derivados) rompe radicalmente com essa mentalidade. Principalmente para o calvinismo o principal interesse agora é o trabalho terreno, pois o sucesso neste é que demonstraria ou não salvação na vida espiritual. Os cultos religiosos protestantes são, dessa forma, completamente desprovidos de qualquer caráter místico, catártico ou extático. São cultos meramente de oratória, sermão e alguns louvores cantados, e ainda assim moderadamente. Isso lembra em algo a linha protestante pentecostal, que vem crescendo cada vez mais no Brasil? Passa longe! O pentecostalismo, movimento este de origem norte-americana, é justamente uma reação, no próprio seio do protestantismo, contra a frieza o excessivo racionalismo que marca as igrejas advindas da Reforma. Há a reivindicação dos “dons do Espírito Santo”, contidos no novo testamento, que é quando os apóstolos recebiam em si o próprio Espírito Santo de Deus, que os faria falar em línguas estranhas, ter visões reveladoras, prever acontecimentos futuros, realizar milagres, etc. As mais novas igrejas pentecostais as vezes são até vistas como tendo cultos “delirantes” pelos mais austeros, pois é comum o choro, o grito, a emoção exacerbada, o desmaio, as possessões, a catarse, o êxtase místico levado as últimas conseqüências. Um cenário que provavelmente deixaria Lutero ou Calvino com os cabelos em pé! O Brasil é um país que revela (ainda bem!) uma tendência para o misticismo, ou seja, a experiência direta com o divino e o sobrenatural. É tanto que aqui cresce a rodo o pentecostalismo, além, claro, das religiões afro-brasileiras, do espiritismo kardecista e das religiões ayahuasqueiras. O próprio catolicismo, como forma de atrair fiéis brasileiros, teve de se “converter” ao pentecostalismo, através da chamada “renovação carismática”, que transforma as missas católicas em verdadeiras sessões pentecostais, onde “abaixa o Espírito Santo”. A Europa, principalmente seus países mais ao norte, foram criados pela cartilha do protestantismo histórico, ou seja, completamente avesso ao misticismo e ao êxtase. Deus assim se resumiu, na mentalidade do homem europeu apenas a uma referencia bibliográfica (a Bíblia). Não havia qualquer experiência direta com o divino, mas somente a referencia a um suposto Deus que se ouviria falar em alguns sermões dados pelo presbítero. Tamanho racionalismo levou realmente a “morte de Deus”, conforme profetizado por Nietszche. Assim feito é possível concluirmos, sem maiores fissuras, que o protestantismo histórico europeu, ao longo deste últimos cinco séculos, deu um fôlego para o crescimento ateísta no velho continente. E de fato é um fenômeno totalmente compreensível, pois a frieza destes cultos aleijou o homem europeu de ter um contato mais íntimo com Deus, o colocando numa esfera completamente transcendente, absolutamente inacessível a qualquer reles mortal. Como crer num Deus que eu não posso ver, sentir, tocar, intuir ou vê-lo agindo em minha vida? Sem contar que, conforme nos apontou Weber, o protestantismo serviu de couraça ideológica para o desenvolvimento do próprio capitalismo, e desta forma do materialismo. Se a vida serve somente para trabalhar e adquirir dinheiro, qual o sentido disto? Nenhum! E não a toa a Europa acaba liderando outro índice preocupante: o de continente com o maior porcentual de suicídios no mundo...O niilismo ontológico que parece varrer a Europa acaba revelando também um lado não tão “progressista” como muitos costumam pintar. Obviamente seria simplista apontar um único fator para o crescimento ateísta: no caso o protestantismo. E assim sendo também não podemos isentar o papel que a própria Igreja Católica cumpre neste processo, visto que provavelmente o inconsciente coletivo europeu ainda guarda em suas reminiscências todo o trauma gerado pela “santa inquisição”. Ninguém nega os erros monstruosos cometidos por instituições religiosas ao longo da História, e a Europa que o diga, pois sofreu na própria pele todos os mandos e desmandos dos sucessivos papados. Tamanhos traumas provavelmente ainda repercutem na alma iluminista do homem do velho mundo. Conclusão? As próprias igrejas européias (tanto a protestante como a católica) tem grande parcela de culpa na ascensão do ateísmo na Europa. A segunda pela sua trajetória maculada de erros, a primeira por ter aleijado as pessoas de um contato direto com o divino. Mas o ateísmo, provavelmente, estará perto de atingir seu “teto” percentual na Europa, visto que devido a intensiva migração afro-asiática que o continente vem sofrendo é visível o aumento significativo de sua população muçulmana, tanto que na França estimasse que pelo menos 10% de sua população professe o islamismo. Ainda é pouco, mas tende a crescer, visto que o europeu natal tem tido cada vez menos filhos (a ponto dos governos darem até incentivos sociais para a reprodução), ao passo que os imigrantes vão na direção oposta, formando famílias numerosas. Também vem crescendo, mesmo que não tão visivelmente, os movimentos pagãos em muitos lugares, pregando, entre outras coisas, a volta das antigas práticas religiosas pré-cristãs de seus respectivos países. Fato certo é a perda brutal que o cristianismo vem sofrendo na Europa, este sim com cada vez menos adeptos e igrejas as moscas (e muitas sendo transformadas em mesquitas!). Ainda bem que Deus, mais que uma idéia distante, é algo vivo no coração místico e extático do povo brasileiro, seja no terreiro de Umbanda, na sessão daimista ou no culto pentecostal. Seria Deus brasileiro? Amém! Axé! Namaste!
Escrito por Filho do Sol às 15h24
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Mediunidade Consciente

Olá amigos! Um assunto que é muito debatido nas comunidade orkutianas web afora é a questão da mediunidade consciente, este “fantasma” que assombra a grande maioria dos médiuns das mais diversas linhas espiritualistas, especificamente os umbandistas. Médium inconsciente seria aquele que supostamente “apagaria” durante a incorporação de suas entidades, praticamente não se lembrando de nada após a subida das mesmas. Já o médium consciente tem consciência de tudo o que está acontecendo a sua volta, mesmo estando atuado de seus guias espirituais. Após o término dos trabalho este médium se lembraria de quase tudo (ou mesmo tudo) do que aconteceu. Cabe salientarmos a impropriedade do termo “incorporação”, pois este termo dá a falsa idéia de que há algum espírito que “entra” no corpo do médium. Em bem verdade o que há é uma imantação-irradiação da entidade pelos chacras de seu médium, geralmente por trás do mesmo. Telepaticamente a entidade iria passando o que quer para o seu aparelho, e este iria naturalmente filtrando o que seria passado (no caso do médium consciente). Este tipo de procedimento é muito comum e utilizado sem preconceitos pelos nossos irmãos kardecistas, que possuem já amplo conhecimento teórico dos mecanismos da mediunidade. Infelizmente a mediunidade consciente sempre sofreu muito preconceito em meios afro-brasileiros, mas aos poucos vem sendo desmistificada.
Antes de mais nada é importante termos ciencia de que a chamada mediunidade inconsciente (totalmente) é rara...até conheço uma médium que é assim, mas vc conta nos dedos o número de médiuns que realmente o sejam...O que podem existir mais são os chamados médiuns semi-conscientes, que guardam alguma consciencia durante o processo, mas também não lembram de tudo e percebem não estarem interferindo em excesso no mesmo.
Porém a inconsciencia total não deve ser nosso objetivo, pois está nos próprios planos da espiritualidade superior que o médium esteja, ao menos, parcialmente consciente durante o processo mediunico para que ele possa também APRENDER com seus guias, pois o médium inconsciente tem a grande desvantagem de passar pela experiencia mediunica praticamente em branco....Vários amigos do astral já nos alertam de que esse tipo de mediunidade não é mais a ideal, por isso se tornando cada vez mais rara. E deste forma podemos responder as justas críticas de diversas escolas ocultistas e esoteristas que sempre criticaram a prática mediúnica alegando que a mesma seria perniciosa por fazer dos médiuns meros “joguetes” nas mãos de espíritos, sendo que nada seria ensinado para a evolução dele próprio. Tal crítica até tem seu sentido se aplicada a mediunidade puramente inconsciente, mas como vimos vigora a mediunidade consciente, na qual ocorre uma SIMBIOSE entre o médium e suas entidades. E essa simbiose é extremamente rica, pois o médium além de aprender passa também a absorver para si determinadas qualidades, conhecimentos e energias de seus guias espirituais.
Sendo assim estamos cada vez mais a desmistificarmos a prática mediúnica em meios umbandistas, trazendo a luz do conhecimento do nosso pai Oxossi e realizando assim na Terra toda a sabedoria que nos vem de Aruanda. Amém! Axé! Namaste!
Escrito por Filho do Sol às 15h41
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Monoteísmo, politeísmo, panteísmo...afinal, pra que ISMOS?

Por muito tempo me perguntei, afinal, se eu poderia me encaixar na categoria de politeísta, monoteísta ou panteísta...E cheguei a conclusão de que todos estes “ismos” nada mais são do que caixinhas conceituais elaboradas pela mente ocidental newtoniana-cartesiana, com sua irritante mania de separar as coisas e os conceitos, como se fossem diferentes ou até mesmo antagônicas. Dentro da visão clássica politeísmo seria uma das formas mais antigas de se entender o divino, pois este seria fragmentado nas mais diversas divindades cultuadas em culturas mitológicas por todo o mundo. Seriam os famosos panteões: grego (Zeus, Hera, Atena, Afrodite...), nórdico (Thor, Odin, Freya...), Yorubá (os Orixás), e tantos outros. Essas divindades, via de regra, representavam sempre elementos da natureza (portanto imanentes a mesma) ou então sentimentos humanos e padrões sociais (deusa do amor, deus da guerra ,etc). Hoje, ao menos dentro de religiões contemporâneas como a umbanda e a wicca, costuma-se utilizar de uma visão junguiana e perceber as antigas divindades como ARQUÉTIPOS de forças divinas. Rubens Saraceni, inclusive, diz Xangô, deus do fogo para os yorubás, seria a mesma divindade que Agni, deus também do fogo, só que no panteão hindu. Já monoteísmo seria a visão predominante no Ocidente atual, cuja idéia seria a de um deus único, completamente transcendente, e com características acentuadamente masculinas. Por muito tempo até mesmo as ciências humanas viam no monoteísmo algo mais “evoluído” que o politeísmo. Algumas sociedades secretas, como a Rosacruz, vivem enaltecendo o faraó Akhenatom por este ter instituído a força o monoteísmo no Egito antigo, em detrimento do antigo culto dito “politeísta” e “inferior”. Hoje já sabemos que o monoteísmo nada tem de tão superior, visto terem sido as religiões monoteístas as que mais mataram em nome do seu “único deus”. Já o panteísmo seria a mais complexa das posições, pois seria uma percepção do divino muito mais apreciada pela intuição mística do que pela racionalidade (ainda mais a ocidental!). Trata-se da visão que vem o divino não como algo separado do mundo, mas como o próprio mundo! Deus seria o próprio universo, a própria natureza, e não algo fora desta. Muitos vem nessa visão algo já próximo do ateísmo, mas o que não é verdadeiro, pois o ateu não diviniza a natureza e os cosmos, como o faz o panteísta. E como disse no início deste texto por muito tempo me perguntei em qual categoria eu me encaixava, até perceber que separar isto por categorias já um tanto quanto limitador. Vejo o divino sim como o próprio universo, o que poderia me definir como um panteísta. Porém reconheço também que este mesmo divino tem sim sua face transcendental, nos remetendo ao Deus próximo da visão monoteísta. E esse mesmo divino, que está na natureza, pode, através de seus arquétipos, receber os mais diversos nomes, como Yemanjá, Oxum, Oxossi, Ogum, etc. Fato é: O divino sou eu, é você, é natureza, é a água, é o fogo, são as plantas, as estrelas do céu, e é também aquele que está além de qualquer compreensão racional, o absoluto, a totalidade, o completo transcendente. E o bacana é que muito disso aprendi com meus estudos teológicos, mas acima de tudo NA FORÇA DO DAIME, que te faz enxergar desde o divino imanente (“É Deus em tudo/ É o fruto, é a flor”) quanto naquilo que está além, transcendente (“Viva Deus lá nas alturas”). E viva o nosso deus interior! Viva o Divino Pai Eterno! Amém! Axé! Namaste!
Escrito por Filho do Sol às 17h26
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Mitologia Ayahuasqueira

Os índios Tukano, da região Vaupés, na Colômbia, dizem que as primeiras pessoas vieram do céu numa canoa em forma de serpente, e o Pai-Sol prometeu-lhes uma bebida mágica que os ligaria aos poderes radiantes dos céus. Enquanto os homens estavam na Porta das Águas, tentando preparar a bebida, a primeira mulher foi para a floresta para dar à luz. Ela voltou com um rapaz que irradiava luz dourada, e ela esfregou o corpo dela com folhas.
Este rapaz luminoso era a planta trepadeira, e cada um dos homens cortou um pedaço deste ser vivo, que se tornou o seu pedaço da linhagem da planta. Numa variação deste mito pelos índios Desana (da mesma região), a canoa serpente veio da Via Láctea, trazendo um homem, uma mulher, e três plantas para as pessoas - mandioca, coca e B. caapi. Também a viram como uma oferta do Sol, uma espécie de contentor para a luz amarela-dourada do astro, que ensinou às primeiras pessoas as regras de viver e falar. (Metzner 2006)
A história dos índios Tukano – Segunda descrição - Dr. R.E. Schultes e Dr. A. HofmannEra uma vez, há muito, muito tempo, uma mulher que vivia com os índios Tukano, a primeira mulher da criação do mundo, que afogou os homens em visões. Para os índios Tukano o sexo é uma experiência visionária, durante a qual os homens são “afogados em visões”.
A primeira mulher engravidou do Deus-Sol, que a fecundou pelos olhos. A criança nasceu num raio de luz. A mulher, cujo nome era Yajé, cortou o cordão umbilical e esfregou o corpo do bebé com ervas mágicas que lhe moldaram o corpo. A criança tornou-se conhecida como Caapi, uma planta narcótica, e viveu até se tornar um homem velho. Ele guarda enciumadamente os seus poderes alucinógenos, a sua Caapi, a qual é a fonte do sémen dos homens da tribo Tukano.
O mito conta essencialmente a história de um casamento alquímico, no qual a mulher e o homem procuram a união com o Deus-Fonte, a força divina da criação do mundo. Por isso a experiência religiosa é sempre também sexual. Citando Schultes e Hofmann: Para o índio, “a experiência alucinógena é essencialmente sexual… torná-la sublime, passando do erótico, do sensual, à união mística com a era mítica, ao estado intra-uterino, é o objectivo final, obtido apenas por poucos mas desejado por todos”.
Mais mitosEm “Encounters with the Amazon's Sacred Vine”, por L. E. Luna & S. F. White: "A planta da ayahuasca tem a sua origem sobrenatural no tempo mítico: ou provém da união incestuosa do Pai-Sol com da sua filha, ou da sabedoria secreta do reino subaquático, ou do cadáver de um xamã, ou da cauda de uma serpente gigante que une o céu e a terra. Estas várias tribos índias acreditam que a planta visionária é um veículo que torna o primordial acessível à humanidade”.
"Um exempo deste fenómeno é o mito dos índios Desana (transcrito por G. Reichel-Dolmatoff) sobre a canoa-serpente que desceu da Via Láctea com os primeiros habitantes do mundo, que se transformou na canoa do rio de fogo que transportou o povo yagé (ayahuasca)."
"Foi uma mulher. O nome dela era Gaphi Mahso, a Mulher-Yajé. Foi no princípio do tempo, quando a canoa-anaconda desceu aos rios para espalhar a humanidade por toda a terra, que apareceu a Mulher-Yajé. A canoa chegara a um lugar chamado Porta das Águas, e os homens estavam sentados na primeira maloca (uma espécie de cabana central da aldeia), quando a Mulher-Yajé chegou. Ela pôs-se em frente da maloca, e ali deu à luz o seu filho; sim, foi ali que ela deu à luz.
A Mulher-Yajé pegou numa planta e com ela limpou-se a si e ao seu filho. A parte de baixo das folhas desta planta é vermelha como o sangue, e ela pegou nestas folhas e com elas limpou a criança. As folhas eram de um vermelho brilhante, assim como o cordão umbilical. Esta era vermelho e amarelo e branco e muito brilhante. Era um grande cordão umbilical. Ela é a mãe da planta de yajé".
Escrito por Filho do Sol às 14h01
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Materialismo: A filosofia do status quo

Recentemente ( e acentuadamente no orkut) tenho me deparado com a proliferação do chamado “ateísmo militante”, movimento este que pretende desmistificar a religiosidade, especialmente o cristianismo. Portanto não se trata do indivíduo simplesmente ser ateu e ponto. Ele se organiza e pretende convencer os outros da sua posição filosófica, que é o materialismo. Notemos que ateísmo e materialismo não são, necessariamente, a mesma coisa, pois existem espiritualistas próximos a uma concepção ateísta, como é o caso de certas vertentes budistas (pelo menos no sentido de se negar a existência de um deus pessoal). O materialismo é o posicionamento que afirma ser a realidade material tudo o que existe, somente a matéria seria o “real”. Essa proposição trás, mesmo que implicitamente, uma série de “verdades prontas”, que muitas vezes não são questionadas pelos próprios materialistas. Se fizermos um exercício socrático poderíamos nos perguntar, acima de tudo, O QUE É REALIDADE? Muitos se queixariam, vendo nisto um absurdo relativismo epistemológico pós-moderno, porém, ao contrário do que pensam, isso na verdade é – como dito – uma indagação no melhor estilo socrático, e que também, de certa forma, já foi feita pelos nossos índios xamãs, a milhares de anos atrás, quando do descobrimento da experiência enteogenica. Sim, muito fácil afirmar que isto ou aquilo é a realidade, agora complicado mesmo é discutir o próprio conceito de realidade. Acho que realmente nesta questão qualquer resposta absoluta será sempre simplista, seja “a realidade é a matéria”, “a realidade é Deus” ou qualquer outra do gênero, sendo, mesmo que incomodadamente, mais segura a posição dita relativista. Lembro-me do best-seller O Mundo de Sofia, onde (não continue lendo esse trecho se você ainda não leu esta obra!) Sofia descobre na companhia de seu professor de filosofia que o mundo em que eles vivem nada mais é do que um mundo imaginário de um livro, que estava sendo escrito por um determinado autor, ou seja, eram somente personagens de uma história! Num primeiro momento pode parecer absurdamente fantasioso, porém quem nos garante, por A + B que também não sejamos personagens de algum livro, frutos da mente de algum autor desconhecido? É a famosa hipótese de Matrix! Será a nossa “realidade” a realidade? Será que existe a “realidade’? E porque do título deste artigo? Oras, afirmar que a matéria é a única realidade existente é afirmar, mesmo que implicitamente, que a realidade é aquela percebida pelo chamado “estado normal de consciência” ou “estado de vigília”. Todos aqueles que já passaram por fortes experiências psicodélicas e enteogenicas se questionam – não sem razão – sobre o que é, afinal, a realidade, e socraticamente se perguntam “afinal, o que é realidade, existe realidade?”. Terence MacKenna já nos apontou genialmente o quanto é limitada a ciência materialista (sim, a ciência tem posicionamento filosófico perante o mundo!) que julga toda forma alterada de consciência meramente como “esquizofrenia”, e neste sentido como um mal a ser curado. Uma pessoa que é acometida por visões e ouve vozes é dita, entre nós, como alguém louco e desequilibrado, que necessita urgentemente de tratamento e ajuda médica para regressar ao chamado estado “normal” de consciência ( e bota aspas nisso!). Mas será que não seria o “louco” o verdadeiro são, e nós ditos sãos, os verdadeiros loucos? Nas sociedades tribais e xamanicas o que consideramos como “esquizofrenia” seria na verdade uma dádiva, um presente, um dom dos próprios deuses. Alguém com estes sintomas ditos esquizofrênicos seria treinado para virar um grande xamã, feiticeiro, pajé da tribo. Seria o próprio portal entre mundos e realidades para que a tribo pudesse se manter equilibrada entre os diversos níveis de que chamariam de realidade. A nossa sociedade, já repleta de uma visão de mundo materialista, tem verdadeira ojeriza a estados alterados de consciência, justamente por considerar estes estados como “ilusórios” e como sendo passível de captar a realidade somente o estado de vigília. Mas quem nos garante que ilusório é justamente o que é captado pelo estado de vigília? E que justamente a realidade seria aquela captada somente pelos estados alterados de consciência? Há escolas budistas mais radicais, inclusive, que pregam o monismo espiritualista, ou seja, a idéia de que somente a realidade espiritual é real, e que o mundo material nem sequer existe, sendo este somente uma ilusão dos nossos sentidos ordinários (maya). Obviamente que espírito crítico e questionador são de extrema valia, porém se formos questionar devemos questionar tudo, inclusive a própria existência da matéria! Porque não? Não julgo, pessoalmente falando, que o mundo material seja ilusório, porém penso ser este apenas um FACETA de uma realidade extremamente mais complexa e mais rica, ou seja, a “ponta do iceberg” daquilo que poderíamos, mesmo com cautela, definirmos como ‘realidade”. E neste sentido é que julgo o materialismo como a filosofia do status quo, pois há uma super valorização do “estado normal de consciência”, pois enxergam neste somente o único estado mental capaz de captar o que seria o real. Qualquer outro estado mental que não este seria “alucinatório” (pura e simplesmente), não tendo nenhum valor enquanto ferramenta de conhecimento, e precisando ser urgentemente tratado pela nossa famigerada psiquiatria tradicional. E é justamente este estado dito “normal” de consciência é o único útil para que permaneçamos como ferramentas inseridas dentro do modo de produção capitalista, acordando cedo, trabalhando, dando lucro para um sistema assassino e opressor. Que lucro pode dar para o sistema um “louco”? “entuxa remédio nele!”. E por fim convido a uma reflexão extremamente interessante feita a quase 2.000 anos pelo apóstolo Paulo: “Que ninguém engane a si mesmo! Se algum de vocês pensa que é sábio conforme a sabedoria humana, então precisa se tornar louco para ser, de fato, sábio.” (I Cor 3 : 19). Amém! Axé! Namaste!
Escrito por Filho do Sol às 13h43
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O Santo Daime e a Bíblia

O Santo Daime e a Bíblia Certa vez perguntaram ao Mestre Irineu se havia algum livro que continha a doutrina daimista, e ele respondeu: “Sim, e esse livro é a Bíblia”. E com essa afirmação podemos fazer uma reflexão acerca de qual seria a relação entre o Santo Daime e o livro chamado Bíblia, que tantas controversas teológicas geram. O que seria a Bíblia? É um livro contendo o que denominamos de “antigo testamento” e “novo testamento”, sendo o primeiro composto dos livros considerados sagrados pelo povo judeu, escritos, em sua maioria, pelos antigos profetas. É importantíssimo não esquecemos de realizar uma contextualização histórica e vermos que as páginas do antigo testamento revelam uma lei moral e divina (ditada por Deus a Moisés, quando este recebeu os dez mandamentos – “As tábuas de Moisés, que o meu Pai entregou”) e uma lei jurídica, esta estabelecida pelo próprio Moisés para disciplinar um povo rebelde e ainda na sua infância espiritual. A importância destes livros estaria justamente em conservar essa lei moral e também pelas profecias que anteviam a vinda do próprio Messias, ou seja, do Mestre Jesus. Já o novo testamento veio através da figura do nosso mestre, que veio trazer uma mensagem de amor e redenção para toda a humanidade, e neste sentido estabelecer uma nova “aliança” (daí o sentido da palavra testamento: aliança). Porém o próprio Jesus deixou claro que não trouxe toda a verdade, justamente porque a humanidade da época seria incapaz de entender (aliás, não foram capazes de entender nem a mensagem trazida pelo próprio Cristo, imagine se fosse além disso!). Como vemos: Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei a meu Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito de Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem me Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (João, 14:15 a 17 e 26). Nesse sentido, ao contrário do que pregam certos grupos fundamentalistas, o próprio Cristo prometeu que o Pai enviaria um outro Consolador, que ensinaria todas as coisas e também nos lembraria todos os ensinos nos dados pelo divino mestre. Assim sendo, conforme nos afirma o daimista Alex Polari, em seus livros, o Santo Daime seria o Consolador prometido por Jesus no Evangelho de João, pois tanto nos ensina todas as coisas do mundo espiritual como testifica, na luz do astral, todos os ensinamentos deixados pelo rabi da Galiléia. A própria comunhão de pão e vinho, ocorrida na Santa Ceia, seria, hoje, a comunhão do Daime, que representaria o próprio sangue de Cristo, o vinho milagroso, pois, conforme ensinado pelo hino, “sou o pão maravilhoso que me transformei em vinho”, ou então, segundo o hino do Pad. Valdete: “Eu tomo Daime e considero este vinho o mesmo vinho que Jesus deu para tomar”. Assim sendo, enquanto católicos vem no vinho alcoólico o representante do sangue de Cristo, nós, daimistas, o vemos como o próprio Daime. Nossos hinários sagrados poderiam ser considerados a “terceira revelação” ou então o “terceiro testamento”, que não vieram negar os ensinos de Cristo, mas sim lhes dá aplicação, da mesma maneira como Jesus não veio negar a lei divina mosaica, mas da-lhe novo sentido. Com base nisto tudo, e nos próprios dizeres do Mestre Irineu, vemos a importância da Bíblia (e em especial dos evangelhos) para a doutrina daimista. Porém, infelizmente (e aqui cabe uma crítica construtiva) vemos poucos daimistas empenhados num estudo bíblico. Vemos muitos estudando diversas outras práticas, mas poucos estudando a Bíblia. Obviamente que devemos estudar as mais variadas contribuições espirituais sim, pois ninguém nega o caráter eclético da nossa religião, pois o “Santo Daime em tudo se soma”. Porém, parafraseando o mesmo hino, esquecemos, às vezes, que “O Mestre é o de Nazaré” e a Bíblia continua sendo a maior referencia histórica da trajetória de Jesus Cristo e de seus apóstolos na Terra. Obviamente sabemos que a compilação do novo testamento foi realizada pela própria Igreja Romana em seus vários concílios teológicos realizados nos finais da idade antiga, onde escolheu determinados livros em detrimentos de outros, considerados os “evangelhos apócrifos”, que chegam à casa das centenas, e dentre os quais temos maravilhosos relatos como do Evangelho de Tomé, de Maria Madalena, etc. Estudar esses textos ditos “apócrifos” é essencial, pois muito podem nos dizer acerca dos ensinos do nosso mestre. Porém não podemos, por isso, negar a importância dos evangelhos canônicos ou bíblicos. O Evangelho de João, por exemplo, é riquíssimo na retratação mística de Jesus, se tornando leitura indispensável para todo daimista, para compreender “aquele que ninguém sabe compreender”. De inegável valor também são os livros dos atos dos apóstolos, as cartas de São Paulo (se devidamente contextualizadas) e, claro, o próprio Apocalipse, que, não por acaso, dá título ao próprio hinário do Pad. Valdete. De difícil leitura o Apocalipse seria fruto da própria expansão de consciência do apóstolo João, que adentrou o mais alto do astral superior, lhe sendo reveladas todas as turbulências materiais e espirituais que o balanço proporcionaria ao mundo. Obviamente, que mesmo considerando o valor inestimável da Bíblia, não fazemos coro com certos setores religiosos fundamentalistas que enxergam neste livro a “única verdade, absoluta e infalível”, pois tão sagrados quanto a Bíblia são o Alcorão, os Vedas, o Baghavad Gita, o Tao Te King e todas as legítimas práticas espirituais de tradição oral, que nunca foram baseadas em “livros sagrados”. Porém a Bíblia teria um valor importante sim para o daimista, pois em suas páginas está contidos – se não todos – a maioria dos ensinamentos proferidos pelo nosso Mestre crístico. E contidas em suas páginas estão todos os ensinos da doutrina daimista, conforme já nos relatou o próprio Mestre Irineu, e também pelo próprio Pad. Sebastião, pois como sabemos o mesmo sempre pedia para que o irmão Lúcio Mortimer realizasse leituras bíblicas durante os trabalhos – práticas, aliás, que eventualmente, poderia ser retomada nos centros daimistas, pois deve ser muito forte ouvir, por exemplo, as palavras do sermão da montanha debaixo da força e da luz da nossa bebida sagrada. Por fim deixo todos com a mais importante passagem bíblica, que segundo o próprio Jesus resume toda a questão: Os fariseus, ao ouvirem que Jesus havia feito os saduceus se calarem, reuniram-se; e um deles, que era doutor da lei, perguntou-lhe para tenta-lo: Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Jesus lhe respondeu: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento. E eis o segundo, que é semelhante: Amarás teu próximo como a ti mesmo. Toda a lei e os profetas estão contidos nestes dois mandamentos. (Mateus, 22: 34 a 40).
Escrito por Filho do Sol às 16h04
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Salvação x Evolução

Deparei-me, recentemente, com um conhecido meu que é evangélico. O que parece ser trivial tornou-se algo digno de nota neste blog, pois o indivíduo, de todas as formas, tentou me converter para sua suposta verdade infalível, alegando que o “espiritismo é coisa do demônio, pois nega que Cristo morreu por nós na cruz para nos salvar”. Achei, assim sendo, que tal fato mereceria uma reflexão mais aprofundada da própria idéia de “salvação”, que discutiremos a seguir. Porém antes cabe o esclarecimento de que nem sou exclusivamente espírita, no sentido que essa palavra tem modernamente para se referir aos seguidores da doutrina de Allan Kardec. Embora admire toda a codificação espiritista e tenha nela um grande apoio de estudos sou um espiritualista universalista, conforme já mencionado nos primórdios deste blog. Infelizmente tudo que é diferente é taxado no nosso país de “espiritismo”, ou ainda pior, de “macumba”,enfim.. A idéia de que as religiões majoritárias no Ocidente tem acerca do papel do indivíduo no mundo é extremamente pessimista e perniciosa, pois coloca que o homem é um fruto degenerado da própria criação. Teria caído do paraíso e seria por natureza pecador, ou seja, não merecedor de nenhuma consideração. Somente teria sido resgatado através do sacrifício de Cristo na cruz, e daí obtido a sua salvação ao aceitar tal fato. Sem desmerecimento, mas isso poderia até ser chamado de a “salvação fast-food”, pois você pode ter sido o pior ser deste planeta: um estuprador, pedófilo, assassino, corrupto, porém, ao aceitar Jesus Cristo como seu salvador você seria automaticamente salvo e estaria pronto para morrer e “adentrar os portões do céu”. Em contraparte você pode ter sido o melhor dos seres humanos moralmente falando: ter ajudado o seu próximo, praticado a caridade, ter tido uma postura honesta e justa na sua trajetória terrena, e simplesmente por não ter “aceitado a Cristo” se prepare meu querido, “os caldeirões do inferno” já estarão borbulhando, a espera da sua chegada! Oras, bem sei que a razão não é o instrumento supremo da sabedoria, como advogavam os filósofos puramente racionalistas, porém também não devemos ter a postura de “chutar” a razão e aceitarmos determinadas teorias teológicas que escandalizam qualquer o senso mínimo da razão. Segundo a teoria da “salvação externa” Chico Xavier ou Mahatma Ghandi estariam nessas horas nas profundezas das regiões infernais por não terem aceito Cristo como seu “salvador”, ao passo que figuras como Guilherme de Pádua, o assassino de Daniele Peres (caso que chocou o país nos anos 90), por na cadeia ter se tornado evangélico já estaria com sua salvação garantida...Aliás a própria Daniele talvez não esteja salva, visto sabermos nunca ter “aceito a Cristo como único salvador”, e pode ser neste momento esteja na companhia de Chico Xavier e Ghandi... Me perdoem os mais sensíveis que acharam as suposições um tanto quanto fortes e pesadas, porém são necessárias para verificarmos o quão absurda é a tese teológica que defende a chamada “salvação externa”, ou seja, de que a nossa salvação espiritual depende de um fator externo a nós (no caso da religiosidade ocidental, o sacrifício de Cristo). Justamente por isso que não há uma grande preocupação com a nossa reforma íntima como um todo, pois nossa sociedade já foi criada com idéias que nunca deram muito crédito a busca pelo próprio aprimoramento pessoal, pois em última estância nossa salvação não dependeria disso. O homem seria “nada”, alguém incapacitado de galgar degraus mais altos por si só, e tudo dependeria de “Deus”. Alguns autores espiritualistas falam em “auto-salvação”, ou seja, a postura de que nossa salvação dependeria do nosso próprio aprimoramento moral e de nossas virtudes, nossas obras. Em essência concordo com eles, porém acho que já temos maturidade o suficiente para dispensarmos a própria palavra “salvação”, e a substituirmos por EVOLUÇÃO: o ser humano é um espírito que nasce simples e ignorante, embora contenha adormecido dentro de si todas as potencialidades que o tornarão um dia uma própria “divindade”, na sua trajetória evolutiva. Aqui não há mais alguém que irá nos entregar uma suposta “salvação”, mas nossa evolução dependerá exclusivamente de nós mesmos, pois somente nós podemos ser os agentes de nossa reforma íntima. O ser humano, de ser incapacitado, passa agora a ser o senhor de si mesmo, de sua trajetória e do seu destino. É o ser humano não mais como uma criancinha dependente da sua figura paterna externalizada (no caso do deus patriarcal), mas o ser humano adulto e consciente de sua responsabilidade espiritual e reconhecendo a divindade interna e presente também em cada irmão. E aí estamos numa das mais profundas transformações de paradigmas da Nova Era que estamos adentrando: a humanidade passa de sua infância espiritual, de dependência exclusiva da figura paterna divinizada (conforme já apontado por Freud) para a fase adulta, onde já é senhora de sua própria evolução espiritual. Para finalizar não podemos deixar que falar do nosso amado Mestre Jesus. Falam que ao negarmos a salvação externa estamos “rebaixando” a importância de Jesus para a humanidade, pois este não seria mais o nosso “salvador”. Até aceito a palavra “salvador” se a utilizarmos simbolicamente, como muitas vezes acontece em determinados hinos da doutrina daimista, por exemplo, mas em bem verdade Cristo tem agora sua posição ELEVADA, pois de simples “ovelha sacrificada”, bem aos moldes dos antigos cultos pagãos, passa a ser o mestre de suprema luz e sabedoria, que renuncia as mais elevadas moradas astrais para reencarnar entre seres humanos ainda tão involuídos, entre pedras preciosas ainda em estado bruto. E justamente por isso veio, para que com seus ensinos eternos pudesse mostrar o caminho para nossa evolução espiritual, para que as pedras brutas pudessem se lapidar, mesmo que para isso tivesse que sofrer as piores injustiças, como sofreu em sua vida terrestre. Sendo assim só temos que agradecer a Jesus, Buda, Krishna, Irineu Serra e todos mestres iluminados que vieram nos ensinar o caminho, mas ciminho este que só nós mesmos podemos trilhar. Amém! Axé! Namaste!
Escrito por Filho do Sol às 00h41
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Previsões para 2009

E mais um ano se vai...
Conforme vimos em antigas postagens 2008, ano que está terminando, foi regido, segundo o oráculo sagrado do TARO, pelo arcano 10, A Roda da Fortuna. Tivemos, assim, um ano relativamente conturbado e instável (para o bem e/ou para o mal). No plano mais geral da sociedade a regência do arcano foi escancarada: O capitalismo neoliberal, que parecia um grande bezerro de ouro que nunca cairia, caiu e se espatifou, gerando uma grande crise no sistema econômico mundial ("quem está em cima desce, quem está embaixo sobe" - a roda girando...). Nos EUA, que está no centro da crise, foi eleito o primeiro presidente negro da história de um dos países mais racistas do mundo, o que nos mostra que o arcano 10 também gera transformações positivas com seu incessante girar. Com certeza as relações pessoais também estiveram turbinadas, afinal quem aqui não viu em 2008 aquele casal aparentemente tão feliz e há tantos anos juntos se separarem para o espanto de todos? Ou então aquele seu amigo solteirão de sempre desencalhar milagrosamente?
2009, que está chegando, será regido pelo arcano 11, A Força, pois, 2+0+0+9 = 11. Esta é a carta de atributos como domínio, inteligência, razão, direcionamento e também, em certo sentido, do cansaço e da fadiga, pois, ao contrário de 2008, onde muita coisa "caiu do céu", 2009 será um ano onde tudo terá que se conquistado com muito esforço e suor, onde teremos que, literalmente, ir a luta para conquistar nossos objetivos. Porém tal batalha deverá sempre se dar dentro do campo da ética, pois esotericamente o arcano 11 mostra uma donzela, que ligada ao astral superior dominada delicadamente um leão, simbolizando aqui os instintos e as baixezas do espírito humano. Portanto aqueles que não conseguirem dominarem seus próprios "leões internos", ou seja, suas sombras, serão provavelmente devorados pelos mesmos. Nem todos, mas com certeza muitos que estão lá em cima por conta de uma trajetória maculada e imoral tombarão neste ano, pois a exemplo do mito arquetípico de Frankstein, serão vítimas de suas próprias criações monstruosas.
Notem que a donzela domina delicadamente seu leão, e não o destrói ou mata. Tão abominável como sermos joguetes de nossos instintos é os negarmos e fazer de conta que os mesmos não existem. Mais que tudo A Força é uma cara de equilíbrio entre nossa dupla natureza animal-espiritual. Após a turbulência emocional de 2008 o ano a chegar pede mais equilíbrio interior e emocional. No amor os solteiros terão certa dificuldade para conquistar seu parceiro desejado, mas nada que uma dose extra de esforço não resolva, e casais já consolidados terão que trabalhar o companheirismo de forma mais acentuada, pois relações que já estão capengando tenderão a se finalizar de vez em 2009. Restrições financeiras serão facilmente constatadas, até mesmo porque a crise mundial iniciada sob a regência do arcano 10 tende a se acentuar mais gravemente, possivelmente tendo efeitos mais concretos no Brasil a partir de então. Os Estados, tão desacreditados sob a égide do neoliberalismo, tendem a se fortalecerem cada vez mais, pois tal será a única maneira de conter, ao menos parcialmente, a crise econômica. Serão as "donzelas" a dominarem os "leões" da crise. Obama, com certeza, assumirá com um grande "abacaxi" em seu colo...
Segundo o Taro dos Orixás teremos de maneira acentuada a regência de YANSÃ no ano vindouro. Com suas tempestades purificadoras irá varrer as feras escondidas dentro de nós mesmo, mas o que nos obrigará a depararmos e dominarmos as mesmas. O que estiver "embaixo do tapete" com certeza será descoberto por mamãe dos ventos.
Embora tal prognóstico pareça, a primeira vista, um tanto desalentador, 2009 será um ano repleto de possibilidades de exercícios de auto-conhecimento e de iluminação das nossas sombras interiores. A chave será sabermos nos focarmos nas intenções certas, e embora o parto seja sempre doloroso, temos a certeza do nascimento de um novo ser. Sabendo aproveitar as energias regentes, você, no fim de 2009, se verá no espelho e verá uma nova pessoa, e melhor que anteriormente.
E FELIZ 2009!!!
Amém! Axé! Namaste!
Escrito por Filho do Sol às 03h01
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Denunciando os falsos profetas
Nestes tempos de relativismo religioso pós-moderno (para o bem e para o mal) tornou-se senso comum a afirmação de que todas as religiões levam a Deus, ou então que todas as religiões são boas. Estou aqui hoje não para defender o já capenga - mais ainda persistente - fundamentalismo religioso, que apregoa que somente a sua própria doutrina é a única capaz de "salvar" a humanidade, sendo todas as outras perversões teológicas (heresias) que, frutos do demônio, teriam a função de afastar o homem da "única" religião verdadeira. Obviamente não compactuo com esse pensamento tão asqueroso, e justamente por não concordar com seu pressuposto que me vejo obrigado também a denunciar o sofisma que é a "política de boa-vizinhança" da idéia de que "todas as religiões são boas". Não, não são todas boas, porque, por exemplo, essas religiões fundamentalistas não tem NADA de positivas, pois são amarras mentais que só proporcionam lavagens cerebrais em massa, a alienação política, a exploração das camadas mais precisadas, o cultivo do medo e o já citado fundamentalismo religioso.
Muitos contra-argumentarão que "ah, mas em muitas dessas religiões pessoas são curadas, se livram de drogas, então não nos cabe critica-las". Bem verdade é que em muitas dessas igrejas tele-pentecostais vemos o caso de indivíduos que se livraram das drogas, da bebida, da prostituição, etc. Porém será que não foram libertos de determinadas amarras para se verem presos em outras, tão ou mais perigosas? É só vermos o caso daqueles jovens pentecostais que no início deste ano depredaram todas as imagens de um centro umbandista no RJ, ou da assustadoramente crescente bancada evangélica no congresso nacional que se pauta na luta feroz contra o estabelecimento de direitos humanos fundamentais para a população homossexual, como o direito a união civil e a criminalização da homofobia. Mesmo no tangente as relações pessoais garanto que sabemos todos de casos de famílias que entraram em sérios conflitos graças a diferenças religiosas, como no caso de uma família católica tradicional onde um filho mais culturamente independente se revela, por exemplo, budista, candomblecista ou qualquer outra coisa.
Quantos e quantos crimes, discriminações e atos intolerantes não já foram justificados ao longo da História graças a essas doutrinas religiosas que se auto-julgam as únicas detentoras da "redenção humana"? O quanto que a mulher já não foi oprimida e considerada um ser de segunda classe graças a determinadas passagens bíblicas, a versos do alcorão, a encíclicas papais? O quanto o corpo humano já não foi e é considerado o templo do diabo e o sexo visto como a maior de todas as perdições, formando gerações e gerações de seres humanos altamente frustrados e complexados?
Obviamente que esse complexo sócio-cultural denominado religiosidade não se limita a essas idéias expostas acima, havendo sim muitas doutrinas comprometidas com o advento da Nova Era, e que não se enxergam como as únicas detentoras da salvação das almas, não proclamam o corpo como a fonte de todo o mal e nem enxergam a mulher como um ser inferior e nem o sexo como um ato válido somente para a reprodução humana. Porém minha crítica, como dito já no início deste breve ensaio, se dirige a chatice do "politicamente correto" que muitos dos adeptos de uma nova visão da espiritualidade querem transparecer ao afirmarem a validade de todas as correntes religiosas. Obviamente que todas são legitimas perante a lei, isto não questiono, com seus direitos de culto estabelecidos. O que questiono é o fato de que essas doutrinas fundamentalistas representarem um ENTRAVE para o advento da Nova Era, e assim sendo deveriam ser denunciadas por todo o mal que já afligiram e ainda proporcionam a humanidade. O excesso do politicamente correto é perigoso na medida em que fechamos os olhos as barbaridades cometidas pelos falsos profetas (já antevistos pelo próprio Cristo), preferindo nos mostrarmos como os "bonzinhos" quem acham tudo "lindo e maravilhoso", sem a capacidade de discernimos criticamente acerca dos fenômenos sociais e culturais (nos quais se englobam as religiões). A Nova Era está chegando, e com ela todas as estruturas e crenças não positivas da "antiga era" irão desaparecer, mesmo que lentamente, do imaginário coletivo da humanidade. Obviamente que esta não é uma luta violenta ou armada, pois a própria violência é um sintoma dos velhos tempos a ser extirpado, porém, como já dito, não podemos nos furtar do embate no CAMPO DAS IDÉIAS, e denunciarmos toda a opressão em nome de idéias caquéticas, e que não mais encontrarão lugar no alvorecer do novo mundo que estamos assistindo.
E viva a Nova Era!
Amém! Axé! Namaste!
Escrito por Filho do Sol às 20h06
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Vida Após Vida - Explicando a Reencarnação

Olá irmãos! desculpem a demora para postar (devido a correria de fim de ano na faculdade) mas conforme prometido publico um texto sobre REENCARNAÇÃO extremamente esclarecedor retirirado da página espírita Saber Espírita. Boa leitura a todos!
A reencarnação provém de dois atributos básicos de Deus, sem os quais, no nosso entendimento, Ele não seria Deus: justiça e misericórdia infinitas.
Acreditando-se que tais atributos são intrínsecos à Deus, torna-se sobremaneira impossível conceber-se a idéia de um inferno temporalmente infinito a um indivíduo, no qual estarão as almas que aqui viveram de forma errada, enganosa, materialista, etc, sem quaisquer chances de arrependimento. Tais almas, uma vez adentradas no inferno, não poderiam ser alcançadas pela misericórdia divina. Mesmo arrependendo-se, não mais seriam ouvidas por Deus por todo o sempre. É fácil perceber o grave conflito entre esse conceito de inferno e os dois atributos divinos citados acima, uma vez que, de forma óbvia, sua existência estabelece um termo à misericórdia de Deus.
A reencarnação é uma segunda chance que Deus nos concede para tentarmos evoluir moralmente como seres humanos, sendo esse o real objetivo dela: a evolução do espírito. "Receber um corpo, nas concessões do reencarnacionismo, não é ganhar um barco para nova aventura, ao acaso das circunstâncias, mas significa responsabilidade definida nos serviços de aprendizagem, elevação ou reparação, nos esforços evolutivos ou redentores". (1) Deus não quer que nenhum dos seus filhos se perca e sua infinita misericórdia estará sempre nos tocando com sua divina benção. A reencarnação vem ainda a corrigir possíveis injustiças. Quantas pessoas passam por sérias dificuldades em suas vidas? Miséria, vivendo ao lado do crime e tendo os filhos passando fome, enquanto outras possuem totais condições de desenvolvimento moral junto a suas famílias tão bem estabelecidas?
Um caso interessante: quantos povos viveram em níveis bárbaros e antropófagos na história da humanidade? Será que se nossa alma, assim que fosse criada, encarnasse em um corpo e vivesse junto a esse povo não seríamos também antropófagos? Por isso deveríamos ir para o inferno, logicamente? Ou iríamos para o paraíso eterno? (Mas como, se fomos canibais??) Pode-se argumentar que Deus perdoar-nos-ia por não sabermos que tal prática era errada, afinal nascemos ali e convivemos desde cedo com aquilo. Mas então isso quer dizer que, por viver na ignorância, estaríamos livres para fazer o que quiséssemos e ainda assim sermos premiados com o paraíso eterno? Seria uma grande demonstração de misericórdia, realmente, por parte de Deus, mas ao mesmo tempo também de injustiça. Isso não seria justo para com aqueles que conheceram as leis do amor a Deus e ao próximo. Aos primeiros o paraíso, não importando o que fizeram, devido a sua ignorância; aos últimos, somente se conseguissem manter-se no caminho correto, passando pela porta estreita (Mateus 7:13)? Em qualquer hipótese, não há como haver justiça igualitária a todos nesse caso se não pensarmos na reencarnação. Nas duas possibilidades estaria havendo um tratamento preferencial de Deus para com um povo ou outro: seja dando a possibilidade do paraíso apenas àqueles que possuíssem o conhecimento das leis morais divinas e as praticassem, relegando os ignorantes e bárbaros ao inferno eterno; seja dando aos ignorantes e bárbaros de qualquer forma o paraíso, face à sua ignorância, devendo os outros, para chegarem à felicidade eterna, seguir todo um caráter moral de convivência com o próximo.
Outro caso interessante: o que ocorre com a criança que morre ainda em tenra idade? Imaginemos que tal criança deixe essa vida apenas alguns dias após seu nascimento. Deveria ela ir para o céu ou para o inferno? Lógico é pensarmos que não irá para o inferno, pois sua alma, acabando de ser criada e vivendo encarnada por apenas alguns dias, não haverá cometido pecado algum. Então pensamos: deverá certamente ir para o paraíso eterno. Se assim o é, tal alma fora escolhida por Deus para ser salva. Não foi submetida a nenhum sofrimento que qualquer ser humano enfrenta em sua vida, tendo que ser forte para suportá-los sem desviar-se do bom caminho. Concebemos como justo e correto um pai que, a um filho, dá todas as condições de desenvolvimento: carinho, amor, suporte material, etc; e a outro despreza e humilha, sempre relegando-o a um plano inferior? Se um homem que assim agisse seria obviamente considerado injusto e sem caráter, como Deus poderia proceder desse modo? Deus não escolhe almas e as salva previamente. Deus não quer mais a você do que a alguém de um povo bárbaro que viveu há milhares de anos atrás, nem quer mais a uma criança que desencarna com alguns dias de vida do que você, que está aqui, suportando alguns sofrimentos dessa vida. Somos todos filhos Dele e Ele quer nosso bem igualmente.
O que dizer então nesses casos? Devemos pensar que a real vida é a do espírito. O corpo morre e volta ao pó, a alma continua eternamente. Seria melhor ter vivido com o povo bárbaro em um tempo longínquo, tendo a salvação eterna garantida pela ignorância, ou viver agora, com todas as responsabilidades que o conhecimento que possuímos trás? Sabemos o quanto é difícil nos mantermos no caminho correto, com tantas dificuldades, tentações e violências do mundo atual...
A reencarnação é o produto da misericórdia infinita de Deus aliada a sua justiça suprema! Não se trata de um castigo, como muitos pensam, mas de uma segunda chance, como colocado no início. Uma chance que nos é concedida para que possamos sempre evoluir até atingirmos a perfeição que nossa natureza humana comporta. Aliado a isso, a reencarnação ainda corrige as injustiças, dando iguais possibilidades a todos. É como em uma escola: se um aluno é reprovado, ele não é expulso, mas ganha uma nova chance no ano seguinte, sempre podendo contar com a assistência de seus professores.
Escrito por Filho do Sol às 00h41
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Em Defesa da Enteogenia

Já no ritmo do artigo anterior tentarei, de uma maneira relativamente breve, mostrar e contra-argumentar uma postura que vemos em muitos grupos religiosos, das mais diversas tendências, ao atacar a enteogenia de um modo geral. E que infelizmente não se trata somente das religiões dominantes tradicionais (que afinal, como sabemos, atacam todos os outros grupos minoritários), mas também de doutrinas, grupos e ordens que estão empenhadas na construção de uma nova consciência humana, da Nova Era, mas que ainda mantém velhos preconceitos advindos da “antiga era” ao atacarem sistematicamente (ou mesmo indiretamente) toda a enteogenia e os grupos e religiões contidas em seu bojo.
Vemos isso muito em comunidades virtuais, grupos de internet e afins onde, várias tendências esotéricas, orientais ou alternativas de um modo geral atacam a prática enteógena, e usam aí como principal argumento o de que “não precisamos de nenhum substancia psicoativa para atingirmos o divino”, e que para tal fim existem “outras técnicas”...Em bem verdade não tiramos parte de sua razão! Visto que de fato o divino que existe já dentro de nós mesmos pode ser despertado de várias maneiras diferentes, sendo a enteogenia sim uma dessas vias, mas claro que não a única, concepção essa, alías, que a enteogenia nunca propôs a si mesma, de ser “o único caminho”...
Curiosamente não encontramos oposição, por exemplo, ao TANTRA, prática indiana que prevê a elevação espiritual através de uma prática sexual toda ritualizada e coordenada. Todos sabemos que ninguém precisa, necessariamente, fazer tantra para ter o acesso místico, porém nada vemos de críticas em cima daqueles que optam por essa prática...
O que de fato existe nesse argumento anti-enteogenia é, em verdade, um preconceito velado (ou nem tão velado assim) que tenta deslegitimar o uso de enteógenos como via de acesso ao conhecimento, alegando aí que outras técnicas místicas seriam “superiores” ou “mais adequadas” que uso das nossas plantas de poder. Ao argumentarem dessa forma ainda demonstram o quanto estão presas a concepções da “velha era”, ao fazerem uma hierarquia entre “melhores” e “piores” métodos místicos, sendo que na realidade não existem piores ou melhor maneiras de comunhão com o divino, mas sim maneiras DIFERENTES, sendo que cada um é livre para encontrar o acesso que mais lhe convém. Com toda razão a prática enteogenica (seja no Daime, seja com um xamã, seja individual, etc) não será do agrado de todos, e que encontrarão outros meios que melhor satisfarão seus anseios (yoga, meditação, jejuns, tantra, etc). Assim como para muitos a enteogenia será o canal onde finalmente encontrarão o seu “lugar”, aquilo que de fato mais consegue lhe religar ao sagrado e ao divino. E obviamente que todos esses métodos não são exclusivistas, pois até mesmo boa parte dos adeptos da enteogenia paralelamente (ou conjuntamente ) praticam meditação, yoga e etc.
Porém não podemos deixar de atentar que, embora todas essas formas de acesso ao místico sejam igualmente legítimas, nenhuma é capaz de proporcionar um acesso tão rápido e forte a dimensão do sagrado quanto o uso dos enteógenos (quem já provou de um sabe do que falamos). Por mim mesmo posso dizer isso, pois antes de tomar Daime já tive diversas experiências de meditação, orações, sessões espíritas, uma carga gigante de leitura teológica e filosófica nas costas, e absolutamente nada chegou perto do “boom” que foram as primeiras taças do “vinho das almas”. E muito provavelmente aí resida o MEDO de certos grupos religiosos (tanto dos mais tradicionais como até mesmo de alguns alternativos e esotéricos como citei no início), pois muitas dessas ordens e associações religiosas pregam que para atingir a elevação mística é necessário todo um treinamento disciplinar ou até mesmo toda uma vida dedicada aos estudos, iniciações e práticas ritualísticas próprias para atingir esse estado de comunhão com Deus. Os enteógenos “perigosamente” subvertem essa lógica tradicional: Já de início te lançam dentro do “nirvana”, e a partir de toda a experiência absolutamente transcendental vivida e experimentada é que se via buscar o estudo e o auxílio de certas práticas e condutas. É como atingir de início a “última iniciação” para a partir daí buscarmos o estudo dos graus inferiores. Exemplo claro disso foi o caso de um yogue hindu que veio para o Brasil e aqui participou de uma sessão ayahuasqueira. Em seu término declarou que aquilo que demorou para atingir em anos de mortificações, jejuns e meditação alcançou em algumas horas com esse “soma sagrado”.
Obviamente, como já dito, não se trata de apontar métodos de expansão da consciência que sejam “piores” ou “melhores”, visto serem todos igualmente válidos e legítimos, mas sim de reconhecermos o fato de que o uso de plantas professoras ser sim um dos métodos mais rápidos e fortes para proporcionar essa expansão, e que poderia ajudar em muito a tirar ao menos parcialmente esse grande “véu de maya” que cobre hoje nossa humanidade tão doente de um sentido para a sua existência, e que na busca desesperada por esse sentido se satisfaz com as bugigangas descartáveis proporcionados pelo mercado capitalista. E infelizmente muitos grupos religiosos, embutidos de um misto medo de “perda de adeptos” e preconceito “anti-drogas” propagandeado pela famigerada e insustentável “war against drugs” do império norte-americano, acabam por se opor ao movimento enteogenico, que deveriam ter como um aliado na busca pela nova consciência global e construção da Nova Era.
Cabe a nós, adeptos do movimento enteógeno, provarmos através de nossas condutas que não somos somente um “bando de junkies querendo justificar seus vícios através de roupagens espirituais”, mas sim que somos agentes de uma transformação de consciência visando a nossa própria cura e também a cura da nossa própria sociedade, a começar por curar seus próprios “pré-conceitos”...
Amém! Axé! Namaste!
Escrito por Filho do Sol às 01h09
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Entendendo a ENTEOGENIA

Como todos sabem o homem sempre buscou estar em contato com o mistério maior, que muitos chamam de Deus, de nirvana, de energia cósmica ou qualquer que seja o nome dado à realidade última das coisas por trás de toda aparência fenomenológica, sendo que tal busca esteve presente na grande maioria dos povos da Terra, em praticamente todas as épocas históricas. Os métodos usados para se reconectar a esse mistério maior foram e são os mais diversos: meditação, orações, danças ritualísticas, jejuns, mortificação, rituais sexuais, etc. E uma dessas maneiras se dava pela ingestão de substancias psicoativas denominadas como “plantas de poder” ou plantas professoras”, vistas como ferramentas divinas para se alcançar a expansão da mente e do espírito rumo ao astral, ao mundo espiritual. Exemplos temos nas mais diversas culturas: A bebida sagrada soma utilizada por diversos grupos hindus e até citada no Baghavad-Gita, os xamãs sul-americanos com seus ritos de pajelança utilizando ayahuasca, salvia e outros, e os da América do Norte com a sabedoria do peyote, dos cogumelos, etc. Nos dias de hoje temos diversos segmentos religiosos contemporâneos cujo enfoque está no ingerir das plantas professoras, indo desde religiões institucionalizadas como as ayahuasqueiras brasileiras (Santo Daime, União do Vegetal, Barquinha) e a Native American Church nos EUA e Canadá, até grupos alternativos de consumo psicoativo, mas cujo enfoque ainda é a comunhão espiritual e a busca pelo auto-conhecimento.
E há tempos essas plantas mestras tem sido denominadas de ENTEÓGENOS (neologismo criado pelo pesquisador Wasson, in=dentro, Theo=deus), em detrimento do uso pejorativo do termo alucinógeno, pois parte-se do pressuposto que os enteógenos proporcionam a experiência divina, de reconexão com nossa divindade interior, e não a de produzir meras alucinações. Pelo contrário, os enteógenos seriam ferramentas capazes de nos fazer enxergar a verdadeira realidade, e sairmos do estado de consciência ilusório, comumente descrito de “estado normal de consciência”. E em cima disso é plenamente possível falarmos num amplo movimento enteogenico ou então em enteogenia.
Falamos em “amplo movimento” justamente porque abarcaria as mais diversas práticas, desde os índios xamãs das Américas, até as grandes religiões institucionalizadas e os grupos alternativos espiritualistas. Apesar das diferenças entre esses três grupos é possível situa-los debaixo de um mesmo movimento pela base comum com que encaram o consumo de enteógenos:
1-) O uso é sempre feito com fins espirituais e de auto-conhecimento, o que pode se dar através do consumo seguido de meditações, orações ou danças ritualísticas, e que pode sim proporcionar momentos lúdicos (de prazer e alegria), e embora o lúdico não seja rejeitado ele nunca é um fim em si mesmo, pois a enteogenia até mesmo pressupõe a necessidade de momentos sofridos durante a experiência para um maior aprendizado. Temos aí então um divisor de águas entre o que é a enteogenia e o que é o mero uso recreativo que muitas pessoas fazem nas grandes cidades. O objetivo mor da enteogenia é a experiência espiritual, e não a recreação.
2-) Justamente por serem grupos visando o espiritual sempre ligam o uso ritualístico dos enteógenos a determinados elementos culturais religiosos. Os xamãs usam toda sua ritualística ancestral, invocando espíritos da natureza e deuses antigos, os daimistas rezam e cantam hinos sincréticos, louvando desde santos católicos até divindades afro-brasileiras. Outros grupos preferem associar o consumo a práticas e meditações de matriz oriental, mas de um modo geral todos ligam o uso das plantas mestras as mais diversas ritualísticas e culturas religiosas, sendo raros aqueles que fazem um uso enteogenico destes psicoativos sem associar-se a nenhuma referencia ou prática cultural.
Sendo assim podemos delimitar, mesmo que ainda de maneira não muito profunda, o que é esse fenômeno da enteogenia, mostrando desde as mais variados grupos e práticas que se acolhem sobre seu teto, e diferenciarmos o que é o uso ritualístico e sagrado proposto por esse movimento do mero uso recreativo feito por muitos, que não conseguem perceber que estão desperdiçando todo um potencial de sabedoria e transcendência contidos nas plantas professoras.
Escrito por Filho do Sol às 00h42
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Vida após a vida I

Vamos hoje tentar desbravar um dos temas mais interessantes da espiritualidade, que é o da existência da vida após a “morte” (morte entre aspas, pois o termo mais correto seria vida depois da vida...).
Desde que o homem é homem, desde lá dos tempos das primeiras manifestações religiosas animistas o ser humano tinha em sua mente a idéia de uma existência que de alguma forma transcendesse a morte biológica de seu corpo físico, sendo essa uma crença que permeou praticamente todas as culturas do globo em todos os tempos históricos. A escola materialista é um fenômeno ocidental, que embora tivesse seus primeiros sinais desde a época clássica, só ganhou fôlego através do reinante positivismo do século XIX, em solo europeu. Para o materialismo não há nada além da matéria, negando-se em absoluto a idéia de alma e até mesmo da divindade, sendo que a morte seria o ponto final da existência humana, onde todas as lembranças, sentimentos e emoções seriam totalmente aniquilados, e o pensamento seria um mero produto biológico do cérebro...com a extinção desse a mente também cessaria.
Porém essa visão simplista do “homem-máquina” está cada vez mais ultrapassada, e pelo próprio desenvolvimento das ciências da mente, como no caso da parapsicologia e da psicologia transpessoal. A primeira nos demonstrando ser a mente humana capaz de verdadeiros feitos que ultrapassam os limites do tempo e do espaço, através dos fenômenos da clarividência, da telepatia e outros, sendo que a mente estaria assim muito além do aparelho denominado cérebro. A segunda estudando os chamados estados alterados de consciência (lembra que escrevemos sobre eles por aqui), sendo o transe um fenômeno no qual se entra em contato direto com conteúdos do inconsciente coletivo, e que justamente por ser coletivo não pode ser caracterizado como um fenômeno puramente biológico-mecanicista. Em outras palavras seria como quando entrássemos no estado de miração (típico do Daime) e vislumbrássemos a plena existência de um mundo além da própria matéria. Aliás, não podemos esquecer de citar a famosa física quântica, que demonstra a possibilidade de a matéria ser um produto da mente e não vice-versa. Fritjof Capra assim se expressa em relação a esse fenômeno: "A característica principal da teoria quântica é que o observador é imprescindível não só para que as propriedades de um fenômeno atômico sejam observadas, mas também para ocasionar essas propriedades. Minha decisão consciente acerca de como observar, digamos, um elétron, determinará, em certa medida, as propriedades do elétron. Se formulo uma pergunta sobre a partícula, ele me dá uma resposta sobre partícula; se faço uma pergunta sobre a onda, ele me dá resposta sobre onda. O elétron não possui propriedades objetivas independentes da minha mente. Na física atômica não pode ser mais mantida a nítida divisão entre mente e matéria, entre o observador e o observado. Nunca podemos falar da natureza sem, ao mesmo tempo, falarmos de nós mesmos" (Capra, 1986,).
Esses são dados que revigoram o caráter falacioso do materialismo, vindo do próprio desenvolvimento da ciência ocidental, porém continuo a sustentar que a maior prova que temos da continuidade da existência da consciência-mente após a morte do corpo físico é a própria comunicação que obtemos com as consciências desencarnadas que habitariam outros planos da existência, ou seja, através dos ditos fenômenos mediúnicos, que tiveram o seu maior estudo feito por Allan Kardec, em plena França positivista do XIX. Na sua maior obra acerca do assunto ( O Livro dos Médiuns ) Kardec, com a maestria que lhe é própria, desconstroi todos os argumentos que tentam desclassificar a mediunidade, com teorias que abrangem desde a “ação dos demônios” até as mais sofisticadas que dizem ser o fenômeno apenas produto do inconsciente humano. O leigo no assunto pode até deixar-se seduzir pela pseudo-racionalidade dessa segunda hipótese, mas quem vivencia a mediunidade, seja em qual doutrina ou corrente for, sabe muito bem dos fenômenos e das comunicações tão reais que sepultam qualquer hipótese de ser mero produto da mente humana (a não ser, claro, se nos referirmos ao fenômeno do “animismo”, mas isso já é assunto para outro tópico...rs).
Numa abordagem mais histórica vemos a crença na vida pós-morte em várias culturas e tempos, conforme já dito: Os gregos criam que ao desencarnarem a grande maioria dos seus iria para o reino de Hades, o deus dos mortos, localizado no submundo, sendo que os grandes herpois iriam ter o privilégio de migrarem para os campos elísios. Semelhante crença era compartilhada pelos vikings, cujos guerreiros mortos em campos de batalha teriam a honra de habitar o Vahalla, junto com as valquírias. Na Índia a idéia da vida além desta sempre fora associada ao ciclo de reencarnações. E esse mistério tão fascinante, denominado REENCARNAÇÃO é o tema para o próximo tópico. Até lá amigos espaciais e multidimensionais!
Amém! Axé! Namaste!
Escrito por Filho do Sol às 22h52
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Crítica a Teologia da Prosperidade
Pastor da Universal em ato de intolerancia religiosa
Estamos vendo atualmente uma série de ataques à liberdade de imprensa, protagonizados pela igreja universal, no já célebre caso da Folha de S. Paulo, que em reportagem de Dezembro passado denunciara a formação de um império de riquezas nas mãos de Edir Macedo. Célebres por tb estarem envolvidos nas mais diversas maracutaias foram o casal Hernandez, da igreja renascer em cristo, que agora vivem em prisão domiciliar nos EUA, acusados de lavagem de dinheiro, escondido em Bíblias! Mas quem são essas instituições que se multiplicam por aí aos montes, arrebanhando um número cada vez maior de fiéis e balançando (mesmo que ainda timidamente) a hegemonia católica do país. E para além disso qual é a proposta teológica por trás de tais instituições.
Ao ligarmos a TV e darmos uma zapeada pelos canais, invariavelmente nos depararemos com algum programa evangélico neopentecostal, e que na maioria das vezes será da “universal”. Ao pararmos e assistirmos, veremos um grande ode ao materialismo, ao consumismo e ao capitalismo, e muito pouco, ou até mesmo nada, de conteúdo puramente espiritual ou filosófico, existencial. Dou um dedinho mindinho meu (rs) se alguém encontrar algum vídeo da universal ou de qualquer uma dessas igrejas semelhantes cujo enfoque seja um discurso acerca do sentido da existência, do que seria a vida após a morte do corpo carnal (e da nossa preparação para essa nova vida), do pq estarmos aqui, etc. Pode até ser que encontrem (coitado do meu dedinho!), mas com certeza será UM vídeo entre milhares de outros cujo enfoque é um só: PROSPERIDADE FINANCEIRA! O objetivo principal de estar numa religião dessas seria prosperar financeiramente, ser rico ou até mesmo milionário, o que seria um sinal claro da salvação eterna! Bem, indubitavelmente já podemos sentir um cheirinho de teologia calvinista por aqui, pois como todos sabemos (ou deveríamos saber né) durante a reforma protestante tivemos, além de Lutero, a destacada figura de João Calvino, que com todo respeito a sua pessoa e de todos protestantes seguidores, lançou uma teologia “osso duro de roer” (rs), que seria a da “predestinação”: nessa sua teologia todos os homens, antes de nascer, já estariam predestinados a salvação ou perdição eternas, sendo que de nada adiantariam praticar aos boas obras (discurso caritativo de certos setores católicos) e nem mesmo a conversão pela fé (que seria a salvação segundo o luteranismo), sendo que o destino final de todos já estaria inexoravelmente traçado antes mesmo de nascerem (bem, nos abstemos de comentar certas idéias, cujo absurdo já é demonstrável por si só!). Porém, para Calvino, havia sinais claros para distinguirmos uma pessoa predestinada a ser salva por outra não-predestinada: A RIQUEZA! Sim, para o calvinismo ser rico era um sinal claro de que vc é um escolhido por Deus, mas se vc for pobre, se prepare que são poucas as chances de vc ser um escolhido, portanto ti prepare para os caldeirões lá de baixo (hehehehe). Como nos mostraram N autores dentro das ciências humanas, o discurso protestante, especificamente o calvinista, caiu como uma luva ideológica para o capitalismo nascente, que nunca se dera muito bem com a teologia católica, que ao menos na teoria era contra a usura e o lucro.
O protestantismo pentecostal foi um fenômeno surgido nos EUA (tinha q ser!) baseado no misticismo do fenômeno de pentecostes, onde os apóstolos de Cristo teriam profetizado em diversas línguas. E para além dessa característica o que marcou bastante essa nova vertente nascente fora a adoção de um discurso denominado TEOLOGIA DA PROSPERIDADE, que rejeita a idéia de predestinação calvinista (afinal se a adotasse não buscaria converter os outros...), mas que trás em si a ideologia de riqueza e prosperidade financeira como um sinal de salvação! Trata-se, portanto, de uma assimilação de parte da ideologia calvinista numa versão mais “pop” e mercadológica da coisa. E ao vermos os programas do tele-evangelismo pentecostal veremos vinhetas convocado os mais materialistas desejos da pessoas: Ao invés de espiritualizarem as pessoas e tentarem tornar o ser humano menos apegado as coisas materiais, fazem justamente o contrário: “sua felicidade é ter o carro do ano! É ter uma mansão! Se vc não tem nada disso então vc deve pedir a Deus!”. Não adentrarei numa disputa baseada em versículos bíblicos, pois tal postura é típica daqueles que esquecem o espírito vivo e se apegam a letra morta, mas é clara toda a pregação anti-materialista de Jesus, até mesmo quando nos alertou para que amássemos os bens não perecíveis e que as traças não podem corroer, além, claro, de inúmeras outras passagens, onde o próprio Mestre nos diz que seu reino “não é deste mundo”.
Além disso o discurso da teologia da prosperidade é altamente falacioso ao prometer uma felicidade completa e ilimitada em todos os setores da vida. Obviamente não tem nada de errado em buscarmos a felicidade, porém estamos vivendo num mundo de expiações, e invariavelmente passaremos todos por momentos infelizes, seja na vida afetiva, profissional, familiar, etc. Não existe pessoa que nunca não tenha se debruçado para chorar, e graças a Deus que é assim, pois muitas vezes as provas difíceis da vida é que servirão para o amadurecimento do nosso espírito e sua evolução (vide todos os primeiros mártires cristãos, os verdadeiramente santos e os humildes pretos-velhos de umbanda, que fizeram da dor e do sofrimento não um calvário amaldiçoado, mas a via pela qual souberam ascencionar espiritualmente). A verdadeira fé em Deus não é aquela que levanta as mãos em preces somente para pedir prosperidade financeira e felicidade ilimitada, mas aquela que se dirige ao alto pedindo sim felicidade, mas pedindo tb discernimento para passar pelos momentos difíceis que a vida sempre nos proporciona, afim de que possamos aprender as lições que estejam encaminhadas a nós. Essa apologia materialista de que Deus proporcionará uma felicidade material infindável a todos seus fiéis será, em breve, a maior fábrica de ATEUS que esse País jamais produziu! Afinal já fazem mais de vinte anos que o “boom” das igrejas da prosperidade material aconteceu, e segundo dados estatísticos recentes, a maioria dos fiéis dessas denominações pertencem as classes menos favorecidas da sociedade. Ora, vinte anos se passaram e até hoje essa massa ainda possui dificuldades financeiras de toda espécie, estando muito longe dos carros de luxo e das mansões prometidas pelas vinhetas da universal. Ora mais, ora menos, essa massa se perguntará o pq de não ter prosperado financeiramente mesmo depois de tanto orar com fervor e pagar inúmeros dízimos, e chegará a uma dessas duas conclusões: Ou que a teologia da prosperidade é uma farsa ideológica, ou então que Deus nem se quer existe, pois o discurso materialista estará tão embutido em sua mente que não poderá conceber a idéia de um Deus que não lhe abra as portas para a riqueza.
Obviamente seria desnecessário alentarmos para o fato de que essa ideologia serve perfeitamente a ordem estabelecida e ao status quo, afinal se estamos desempregos e passamos inúmeras dificuldades de ordem material, a culpa seria somente individual, por não estarmos convertidos a determinadas igrejas, abstendo assim o sistema e os governantes de toda sua parcela de culpa para com a miséria em que vivem as massas. A solução: não precisamos nos unir e reivindicarmos nossos direitos constitucionais a uma vida mais digna, a lutarmos e questionarmos as ações governamentais e as estruturas da sociedade em que vivemos...basta irmos para igreja X, dizimar, orar e tudo se encaminhará em nossa vida material...Com certeza os governantes agradecem pela alienação política...
Essa tão longa explanação se fez necessária, pois o nosso blog é sim de caráter ecumênico e universalista, mas não pode se ausentar de fazer a justa crítica a determinadas instituições que não possuem o menor compromisso com a espiritualização do ser humano, mas somente em arrancar seu dinheiro ao mesmo tempo em que embrutecem a evolução das pessoas ao atiçarem nas mesmas os mais baixos instintos materialistas e consumistas. E como se isso não bastasse ainda querem agora lançar uma investida inquisitorial contra as liberdades de expressão e de imprensa, visto os processos contra diversas comunidades do orkut “anti-universal” e agora contra o jornal Folha de S. Paulo, alegando serem “preconceituosas” as reportagens que demonstravam todas as maracutaias feitas por Edir Macedo ao longo dos 30 anos de sua igreja. Ora, engraçado que quando a universal avacalha com o espiritismo e as religiões afro-brasileiras, nas mais absurdas demonstrações de intolerância religiosa, daí não se trata de preconceito...pois é, o velho esquema de “dois pesos, duas medidas”.
Fiquemos, pois, atentos, ao desenrolar da coisa, sempre sintonizados com o alvorecer da Nova Era que nos trará a mais importante prosperidade, que é a ESPIRITUAL! Amém! Axé! Namaste!
Escrito por Filho do Sol às 23h44
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